Artigo - Lipedema, a síndrome das pernas gordas


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Pernas gordas, troncudas, que não reduzem com dieta, exercícios ou drenagem linfática podem ser uma doença chamada de lipedema. O lipedema é caracterizado pelo depósito anormal de gordura, levando ao aumento da circunferência das pernas, do quadril até os tornozelos, bilateralmente. Braços são raramente afetados e mãos e pés nunca são afetados.

É uma síndrome com maior predisposição em aparecer nas mulheres, que e causa o aumento das pernas, dor e facilidade em criar hematomas e petéquias. Muitas vezes vem associado à sensação de peso e inchaço nas pernas.

Muitas das pacientes com lipedema possuem alto Índice de Massa Corporal, porém a maioria possui peso ideal e apresentam desproporcionalidade ao comparar suas pernas com o resto do corpo. Ou seja, apresentam cintura e rostos mais finos, e quadris largos e pernas volumosas. Uma característica marcante é o aspecto nodular dessa gordura, fazendo com que a pele pareça uma casca de laranja, ou ondulações bem marcadas.

 

O lipedema costuma aparecer após a puberdade, mas também pode se desenvolver em outras fases da vida, principalmente se há muitas alterações hormonais, como em uma gravidez. Muitas pacientes sentem vergonha de sua aparência, principalmente porque esta gordura é resistente às dietas e exercícios.

Ainda não há evidências científicas concretas sobre a razão do surgimento do lipedema. Acredita-se que há susceptibilidade genética (podemos observar casos em mulheres da mesma família) junto com as alterações genéticas femininas.

O hormônio feminino estrogênio é responsável pelo controle do peso, lipólise e lipogene. Alterações em seus receptores podem levar a má regulação do apetite e peso corporal e também a diminuição da lipólise corporal.

A incidência de lipedema varia de 8-18%, sendo mais comum no sexo feminino. O diagnóstico correto muitas vezes é dado após a paciente já ter passado por vários outros tratamentos sem sucesso. Pacientes do sexo masculino com lipedema tiveram seus casos relacionados à deficiência de testosterona ou de hormônio do crescimento e com doenças do fígado. Crianças também pode apresentar o quadro, acredita-se que 6,5% das que foram diagnosticadas com linfedema na verdade possuem lipedema.

Por mais que o lipedema seja muitas vezes confundido com o linfedema, a característica dele de terminar nos tornozelos e deixar os pés livres de gordura ou inchaço, nos dá uma pista inicial para essa diferenciação.

O diagnóstico é puramente clínico, ou seja, na avaliação conseguimos dizer se é Lipedema ou não. Exames como a densitometria corporal, ressonância magnética ou a tomografia computadorizada também nos mostra algumas coisas como: um espessamento da derme, junto com edema e fibrose subcutânea.

 

O lipedema possui 4 estágios:

  • Estágio I :superfície da pele normal com aumento da camada de gordura;
  • Estágio II:pele irregular, com sulcos. Grandes acúmulos de tecido gorduroso, lipomas e angiolipomas;
  • Estágio III:grandes massas de tecido adiposo causando deformidades, especialmente nas coxas e em torno dos tornozelos;
  • Estágio IV:lipedema com linfedema (lipolinfedema)

 

 

A proliferação dos adipócitos que ocorre em pacientes com lipedema, leva a hipóxia tecidual por comprimir os capilares sanguíneos. Consequentemente há um aumento da inflamação local e também do inchaço. A progressão da doença do Lipedema pode levar à distúrbios linfáticos, pois a gordura começa a comprometer a drenagem linfática fisiológica do corpo.

 

As alterações linfáticas formam um ciclo vicioso. O aumento do edema leva a compressão dos vasos linfáticos o que acaba por criar o linfedema. O fluido linfático acumulado estimula o crescimento dos adipócitos, causando hipóxia e consequentemente o edema iniciando novamente o ciclo. Por isso é preciso tratar o lipedema para quebrar esse ciclo e evitar a progressão da doença.


O fisioterapeuta atua diretamente com o lipedema. Algumas opções terapêuticas são eficientes em diminuir o edema presente nessas pacientes, melhorando o aspecto da pele e diminuindo a dor, entre elas podemos citar a drenagem linfática manual, endermoterapia, terapia física complexa e pneumocompressão. Outros recursos ajudam a modular a inflamação como a laserterapia, a ledterapia e a aplicação de ozonioterapia.

 

Nos quadros com graus maiores de lipeda o tratamento é Fisioterapia complexa descongestiva, que inclui uma série de procedimentos com cuidados da pele, uso de compressão elástica, exercícios e drenagem linfática.

A lipoaspiração tem se mostrado uma opção segura para a diminuição da circunferência e melhora da aparência dos membros inferiores. Além disso, há melhora da dor, da movimentação, edema e diminuição da fragilidade capilar, tendo impacto positivo na qualidade de vida dessas mulheres. A técnica de lipoaspiração mais utilizada nos diagnósticos de lipedema é a tumescente. Nela, é injetada uma solução no tecido subcutâneo que, além de anestesiar, causa a vasoconstrição diminuindo assim o trauma vascular. Além disso, essa técnica utiliza cânulas mais finas que causam menos dano tecidual.

Tanto o tratamento clínico quanto cirúrgico não curam o lipedema. Por ter sua origem em alterações genéticas e hormonais, seu reaparecimento é possível. Portanto o paciente não deve abandonar seu tratamento conservador com a fisioterapia.

 

Jaqueline Munaretto Timm Baiocchi


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